Ha mais de cinco mil anos


Sinagogas ou museus

 

Há seis anos, quando estive em Praga, capital da República Tcheca, visitei um templo judaico que já não funcionava mais como sinagoga. Em vez disso, havia se tornado um museu judaico. Pela primeira vez, percebi que as sinagogas poderiam perder em algum momento suas funções básicas de congregação e oração. Por quê? 

 

É possível que as sinagogas não sejam para sempre sinagogas. Podem encerrar seus serviços por diversas razões. Dispersão dos judeus e assimilação, por exemplo. Na Faixa de Gaza, recentemente, muitas foram demolidas pelos árabes, após devolução de terras por Israel ao governo palestino. Perderam motivos para existir em uma porção de terra sem expressiva quantidade (ou nenhuma) de judeus. 

 

Na década de 1940, pelo contrário, existem relatos de que Hitler fez questão de manter intactas algumas sinagogas européias, pois apresentaria ao mundo ariano a grandeza do povo que ele gostaria de ter destruído. 

 

Minha estadia em Praga resumiu-se a quatro dias de um dezembro do século XX, suficientes para perceber que nem as sinagogas são eternas. Quando a guia do passeio contou que o museu havia sido uma sinagoga, eu não soube se era para exaltarmos a importância de ter-se preservado o passado ou lamentarmos o fim da vida comunitária no presente.

 

Ao se fechar uma instituição judaica – sinagoga ou qualquer outra – uma cultura deixa de ser transmitida, valores milenares se tornam menos acessíveis, um espaço de convivência desaparece.

 

A comunidade perde tanto em pluralidade de lugares quanto de pensamentos sobre suas condições atuais, seus rumos. É o enfraquecimento. Uma comunidade maior favorece a diversidade, a renovação de idéias. O próprio crescer. Entretanto, no Rio de Janeiro, não é difícil encontrarmos instituições, como clubes e escolas, que sofrem com o esvaziamento e precisam fechar.

 

Os judeus não podem se desinteressar pelo seu grupo. Todo dia temos a chance de pensar sobre nossa comunidade, prestigiar suas instituições, estar de alguma forma em contato com a tradição judaica. É a chance de escolher entre manter ativas escolas, clubes, associações e outros espaços de convivência ou, pouco a pouco, começar a planejar a maneira de preservá-los como a tal sinagoga de Praga, que virou museu.  



Escrito por Eduardo S. às 21h11
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Entrevista

 

O palestino Bassem Eid, que fundou o Grupo Palestino de Monitoramento de Direitos Humanos, foi o entrevistado da edição 1933 da Revista Veja, de 30 de novembro de 2005 (a do Palocci na capa). Pelo próprio título da matéria, Também temos culpa, nota-se que o texto é artigo raro na imprensa brasileira.

 

Eid mostrou-se equilibrado e realista ao analisar a questão do Oriente Medio:. "Não temos autocrítica e estamos pagando por isso", declarou, além de dizer que a ocupação israelense virou desculpa para os próprios erros de seu povo. 

 

*****

Sefaradi x Ashkenazi

 

Relendo alguns jornais cariocas da última semana de novembro, deparei-me com a seguinte frase, relacionada a Amir Peretz, líder do partido trabalhista de Israel: “Por ser sefardita (judeu dos primeiros israelitas de Portugal e da Espanha), é malvisto por parte da mídia israelense”.

 

Não pude deixar de encarar com bom humor o fato de um jornal brasileiro chamar a atenção a uma “rixa” tão peculiar das comunidades judaicas. Mas desconfio de que a origem sefaradita de Peretz pouco influencie a opinião pública israelense, cujos antepassados são provenientes dos mais variados lugares do planeta, inclusive, a península ibérica. Quem mora em Israel que me corrija se eu não estiver certo.    

 



Escrito por Eduardo S. às 21h11
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