Ha mais de cinco mil anos


Irã: Vassoura, pá e espanador

 

Este mês, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, confirmou seu nome na galeria de líderes que, embora sujos de radicalismo, têm o gosto pelo ofício de faxineiro. Assumiu novamente que deseja “varrer” Israel do mapa. Foi além. Desmentiu o Holocausto e sugeriu duas vezes que o quase sexagenário Estado fosse transferido para Europa, EUA ou Canadá.

 

As potências gritaram. Em outras épocas, poderíamos pensar se por preferirem não imaginar um país judaico incrustado em seus territórios ou se contra a negação do massacre mesmo. Mas, hoje, os judeus têm endereço oficial estabelecido. E, nesse contexto, parece que alguns governos, o mínimo que seja, aprenderam algo seis décadas depois da Segunda Guerra Mundial.

 

Enquanto o presidente do Irã dorme sob a poeira do extremismo, a Alemanha, por exemplo, levou a questão a sério, sem varrer o assunto para debaixo do tapete. A câmara baixa do parlamento alemão declarou que o Holocausto não foi um mito, condenou o empenho de Mahmoud em questionar o Estado de Israel e alertou que a Alemanha tem a obrigação de defender o direito à existência do país. Histórico, não?

 

As declarações do presidente iraniano já estão causando polêmica em outros campos. Se nas Copas do Mundo de futebol em 1994, 1998 e 2002 a grande dúvida foi sobre a participação de Romário (por critérios técnicos), desta vez quem pode ficar de fora é a seleção do Irã. A notícia de que partidos políticos alemães pediriam à Federação Internacional de Futebol (Fifa) que a equipe fosse desclassificada do torneio ecoou na imprensa iraniana. Pois adivinhem quem os jornais do país de Mahmoud acusaram de tentar influenciar a Fifa, para que o Irã não vá à Copa. Acertou quem respondeu Israel.

 

Há 33 anos, ativistas palestinos, por sua vez, não apresentaram qualquer recurso aos comitês responsáveis pela organização das Olimpíadas de Munique. Invadiram o hotel onde se hospedava a delegação israelense e eliminaram do torneio e da vida 11 atletas, em mais um recorde de horror e ousadia. Assim, soam até irônicas as acusações do país árabe contra uma possível manifestação, seja de Israel ou dos partidos alemães, encaminhada à Fifa.

 

Os governos ainda não aprenderam a combater com eficiência a estratégia de ataque do terrorismo, na maioria das vezes, sem nacionalidade, território formado ou rosto. A retórica de Mahmoud, no entanto, nos recorda o tempo em que os ataques anti-semitas partiam, predominantemente, de um Estado nacional organizado. A prática, em geral, é menos intensa, atualmente, mas transmitiu lições fundamentais sobre a maneira de lidar com esse tipo de situação.

 

Seres humanos do mundo inteiro lembram o Holocausto com vontade de esquecê-lo. Lembram com o desejo de que nunca tivesse ocorrido. Lembram com a intenção de que não se repita. Isso tem sido importante para ensinar boa parte dos líderes mundiais, como os da Alemanha, a combater velhos sintomas. E trabalhar a favor da difícil tarefa de restringir algumas expressões, como “varrer” Israel do mapa, a páginas amareladas e tristes dos livros de História.    

 



Escrito por Eduardo S. às 21h27
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